Tudo bem: recorramos (ao Wikipédia). Volto em seguida.
“O paradoxo conhecido como o asno de Buridan não foi originado pelo próprio Buridan. É encontrado na obra De Caelo, de Aristóteles, onde o autor pergunta como um cão diante de duas refeições igualmente tentadoras poderia racionalmente escolher entre elas.
Buridan em nenhum momento discute este problema específico, mas sua relevância é que ele defende um determinismo moral pelo qual, salvo por ignorância ou impedimento, um ser humano diante de cursos alternativos de ação deve sempre escolher o maior bem. Buridan defendia que a escolha devia ser adiada até que se tivesse mais informação sobre o resultado de cada ação possível. Escritores posteriores satirizaram este ponto de vista imaginando um burro que, diante de dois montes de feno igualmente acessíveis e apetitosos, deveria deter-se enquanto pondera por uma decisão.”
Não pensem que, faminto, já não me dirigi afoito ao primeiro monte de feno. No entanto, no percurso, descobri outras refeições. O problema, tal qual o indeciso animal de Buridan, é não morrer de fome, mesmo tendo alimento disponível.
Duvido da dúvida. E, mesmo duvidando do que duvido, não tenho certeza de que a dúvida não exista. Sei que acabarei fazendo algo, mesmo incerto. Sei que o produto final será objeto da minha crítica mais ferrenha, mas, mesmo assim, quero chegar ao que considero perfeito. Para, só depois, duvidar da perfeição. E duvidar da dúvida sobre a dúvida da perfeição. Sim: um objeto está sempre em construção. E em reconstrução. Assim somos: os objetos nos imitam.
Mãe, quando crescer eu quero ser intelectual!